Just another blog about the life.
“EU — É possível um rio secar completamente?
ELA — Claro que é.
EU — Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
ELA — Alguns sim, outros não.
EU — Mas nunca mais?
ELA — Sei lá, acho que não.
EU — Você tem certeza?
ELA — Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
EU — Sabe?
ELA — O quê?
EU — Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia.”
Caio F.
(o que, diga-se de passagem, é um grande problema…)

Falar de melancolia é fácil. Os dicionários estão recheadíssimos de palavras bonitas que tendem tristes a explicar o sofrimento dos outros. O difícil é falar da alegria. Alegria que pode ser felicidade momentânea, mas quase não tem sinônimos na literatura. O estar bem não inspira, não vira música nem poesia. Estar triste é sentimento premiado no Oscar de melhor drama, é realidade inventada para vencer o tédio que é ser comum e não ter do que reclamar.
Verônica H.
Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praia, e a gente ficou abraçado,e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
Eu olhei para você com aquela sua sueter que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo.
E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe.
E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.
(…)
Tati Bernardi
♫
Que eu sei que é complicado
Amar tão devagarinho
Eu também
tenho tanto medo
Eu sei que o tempo anda difícil
E a vida tropeçando
Mas se a gente vai juntinho
Vai bem
Mallu Magalhães
Talvez (bem-vindo ao adorável mundo do talvez), os astros estejam conspirando a favor e tudo o que está rolando à sua volta seja tão bonito, tão honesto e tão bacana que você nem ousa imaginar.
Martha Medeiros
Foi só aquele milésimo de segundo o suficiente para ela sentir tudo aquilo que precisava em tão pouco tempo. Toda aquela euforia que se transformara em vontade que realizou seu desejo de tentar, e depois do flash sobrar só saudade daquilo que durou pouco no tempo e ainda dura na memória. Cada beijo cada olhar cada oi cada coisa que compartilhou, nada daquilo se perdeu, tudo ainda estava vivo dentro do único lugar que poderia deixar aquele sentimentos vivendo de uma forma espontânea sem aprisionar: Dentro dela.
E ela seguia assim todos os seus dias, cuidando de suas vontades durante o dia e soltando-as à noite quando poderiam passear sem medo de serem pegas por estranhos. E foi assim durante tempos até encontra-lo de novo e voltar aquele beijo, aquela lembrança aquele abraço aquele cheiro. E tudo se desintegrou e ela viu que não era o bastante apenas guardar numa gaveta empoeirada uma coisa que estava viva nela. Daí ela soltou, sem medo de ser feliz. E aquilo vôou, vôou, vôou, subiu o mais alto que pode e lá em cima explodiu. O céu todo escuro e cheio de tristeza se iluminou e ela não ficou sozinha nunca mais.
E lá vem. Chega como quem não quer nada e me leva de um jeito que me faz querer tudo. Me desdobra, me amassa, me ama, me destrói. E eu fico alí depois com uma cara de boneca inflável achando que esse é o nosso destino até que a morte nos separe. E fico um, dois, três dias agonizando esperando você voltar sem saber se vai mesmo ou não. Daí volta. E faz tudo de novo igual ou pior. E a gente vai indo assim porque é a única forma que duas pessoas perdidas acharam pra se encontrar.
Deixo tudo assim.